O Terranova é frequentemente chamado de “gigante manso” entre os cachorros. Ele é um cão grande e imponente cujo enorme tamanho oculta seu temperamento doce e nobre. O gentil Terranova é um companheiro doce e devotado a família. É um amigo confiável que irá proteger as crianças, aliás, toda a sua família humana, assim como arriscar a sua vida para salvar um estranho de um desastre. Abençoado com uma natureza de cão para o trabalho e boa disposição, o versátil Terranova vai fazer de tudo para agradar o seu dono em qualquer que seja a tarefa apresentada a ele.
A origem do Terranova tem sido sempre assunto de muitas especulações. Uma teoria sugere que o Terranova desenvolveu-se do Mastiff Tibetano, uma raça antiga que acompanhava a travessia dos guerreiros asiáticos pelo continente da Ásia, eventualmente entrando na América do Norte por Newfoundland no Canadá.
Uma segunda teoria sugere um cruzamento entre Mastiffs, Pastores do Pirineu e Cães Dágua Português em algum momento durante os séculos 15 e 16. De fato, acredita-se que essas e outras raças tenham sido usadas e cruzadas pelos nativos índios Beothuck para auxiliá-los em suas tarefas de pesca.
Outra teoria muito aceita assegura que a raça descende do que era conhecido como Cães Urso, grandes cães de trabalho que eram trazidos para o continente da América do Norte por Leif Ericsson e os Vikings em 1000 D.C. Outras fontes afirmam que quando os Vikings visitaram Newfoundland durante o Século II, testemunharam os pescadores nativos trabalhando lado a lado com grandes cães labradores pretos.
O primeiro registro documentado de uma raça parecendo-se com o Terranova pode ser encontrado nos arquivos do país nos anos de 1600, quando cães com a mesma descrição do Terranova eram comercializados por cidadães da América do Norte.
O Landseer mais famoso da história foi Boatswain que pertenceu a Lord Byron, o poeta
britânico que descreveu o Terranova com uma sensibilidade única. O texto na lápide
de Boatswain é o seguinte e sempre me emociona , apesar das centenas de vezes que eu o li;
Memorial Para Boatswain
Lord Byron
Perto daqui
Estão depositados os despojos daquele
Que possuía Beleza sem Vaidade,
Força sem Insolência,
Coragem sem Ferocidade,
E todas as virtudes do Homem sem seus Vícios.
Este elogio, que seria uma Adulação sem sentido
Se escrito fosse sobre Cinzas humanas,
É somente um justo tributo à Memória de
BOATSWAIN, um CÃO
Que nasceu em Newfoundland em maio de 1803,
E morreu em Newstead, em 18 de novembro de 1808.
Quando um orgulhos Filho do Homem retorna à terra
Desconhecido pela Glória mas sustentado pelo Berço,
A arte do escultor exaure a pompa do infortúnio,
E urnas ornadas registram aquele que descansa abaixo:
Quando tudo está terminado, sobre a Tumba é visto
Não o que ele foi, mas o que deveria ter sido.
Mas o pobre Cão, na vida o mais fiel amigo,
O primeiro a dar boas vindas, na dianteira para defender,
Cujo coração honesto é do próprio Dono,
Que trabalha, luta, vive, respira somente por ele
Sem honra se vai, despercebido seu valor,
Negada no Paraíso a Alma que tinha na terra;
Enquanto o homem, fútil inseto! tem a esperança de ser perdoado,
E reivindica para si só exclusividade no Paraíso!
Oh, homem! frágil, breve inquilino
Rebaixado pela escravidão, ou corrompido pelo poder,
Quem te conheces bem, deve rejeitar-te com desgosto,
Massa degradada de poeira viva!
Teu amor é luxúria, tua amizade inteira ilusão
Tua língua hipocrisia, teu coração decepção.
Por natureza mau, dignificado apenas pelo nome,
Cada irmão selvagem pode fazer-te corar de vergonha.
Vós! que, por ventura, contemplais esta Urna simples
Ficais sabendo, não homenageia ninguém que desejais prantear,
Para marcar os despojos de um Amigo estas pedras se levantam;
Nunca conheci nenhum, exceto um único — e aqui ele decansa.
Newstead Abbey, 30 de novembro de 1808
Com todo o respeito. Nenhum cão de outra raça jamais teve um epitáfio com este.
E ele diz tudo!